Surf

O surfe como solução para combater o crime no Ceará

“O surfe salva vidas”

13/04/2019 02h59
Por: Rodrigo Barão
Fonte: Yahoo Esportes
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Para animar as crianças, Zé se reveza entre personagens de heróis em quadrinhos (ARQUIVO PESSOAL)
Para animar as crianças, Zé se reveza entre personagens de heróis em quadrinhos (ARQUIVO PESSOAL)

ssa frase vai além de uma convicção de quem é do mundo do esporte sobre pranchas. Para quem mora - ou visita Fortaleza - sabe que essa máxima tem valido cada vez mais.

Tomado por brigas entre facções criminosas rivais e, durante dois meses, vigiada pela Força Nacional, a violência tem tomado conta da capital do Ceará. Enquanto o horror está nas ruas, a beleza da praia do Futuro conquista mesmo são as crianças.

Uma aproximação em um momento crucial na vida dos jovens. De acordo com a Defensoria Pública do Estado, um em cada três detidos é menor de idade. A falta de opções aliada ao aumento da criminalidade garante essa estatística.

Ainda bem que existe o Zé do Coco.

Zé do Coco

Quando tinha fome, o garoto subia nos pés de coco para se saciar. O ato se repetiu tantas vezes que Jaílton Castro virou o “Zé do Coco”. Da terra, só trouxe o apelido, pois sua vida se passa dentro do mar.

“Se eu te dou uma bola, tu ‘vira’ jogador, se eu te dou uma prancha, vira surfista. E se eu te der uma arma? Tu vira bandido. E é daí pra pior”

O Surf + Surf é um projeto social de autoria do próprio Zé e atende cerca de 30 crianças. A sede é na casa do idealizador e é de lá que meninos e meninas partem com suas pranchas (normalmente doadas de surfistas das regiões Sul e Sudeste). Até mesmo o bicampeão mundial Gabriel Medina já entregou um de seus foguetes para leiloar e ajudar o projeto.

Entretanto, tudo na Surf + Surf depende de um enorme esforço do Zé do Côco. A falta de investimentos ou políticas públicas que o beneficiem contrasta com a dificuldade para manter as crianças próximas ao surfe.

Para isso, Zé recebe todos em casa e divide as próprias refeições. Em tempos menos rentáveis, o mingau de arroz é a única opção.

“Tem dia que estou aqui sem ter o que comer. Nessas horas eu peço para Deus, pois não espero ajuda de ninguém da Terra não. A luta é grande, mas não vou desistir”

Enquanto as coisas não melhoram, ele segue atendendo aos jovens. O surfista não cansa de repetir que suas crianças são a força vital que o mantém longe da depressão.

Se o surfista de alma vive a vida como quer, Zé (ou Jaílton) usufrui a sua salvando as vidas mais frágeis.

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